MÁRCIA
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Era dela a voz de candura nostálgica que se ouvia nos temas da canção ligeira e romântica com que o Real Combo Lisbonense encenava um regresso a uma época em que a música portuguesa revelava tiques tímidos de twist, yé-yé e rock’n’roll.
É mais ou menos aqui que começa a parte mais visível desta história. Márcia já tinha passado pela típica primeira experiência juvenil nos palcos da música com a banda Ana’s Blame. Foi com esse projecto que participou na colectânea Bandas de Garagem, em 2001.
Assim que voltou de um estágio de cinema documental em Barcelona, tinha à sua espera o Real Combo Lisbonense e a editora Pataca Discos. Com o Real Combo pôde começar a pisar os palcos dividindo a atenção e não sofrendo com os holofotes. Foi um tempo de maturação que ajudou Márcia a preparar o seu primeiro momento de revelação com o lançamento, também em 2009, de um EP na então Optimus Discos – projecto editorial dirigido pelo mesmo Henrique Amaro que a chamara a integrar a compilação Novos Talentos Fnac 2009. Eram cinco canções que soavam a cinco segredos. Um deles chamava-se “A Pele que Há em Mim”.
Não há em si nada de industrial ou de escrita fácil e de mera reprodução de fórmulas ganhas. Há antes o respeito por cada tema e um investimento tão pessoal e cuidado que se torna impossível não nos sentirmos íntimos dela e não nos convencermos que partilhamos consigo os nossos dias. Como só acontece com os maiores escritores de canções.
Discografia
- A Pele que há em Mim (2009)
- Dá (2010)
- Casulo (2013)
- Quarto Crescente (2015)
- Vai e Vem (2018)
- Picos e Vales (2022)

